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7 de julho de 2012

Tarântula-Rosa





Ordem: Araneae 

Família: Theraphosidae 

Distribuição e Habitat : Encontram-se no Chile, na Bolívia e na Argentina, em zonas áridas e semiáridas.



Identificação:Medem cerca de 6 cm de comprimento e cerca de 12 cm de amplitude máxima das patas. O exosqueleto apresenta coloração variável em tons de castanho, cinzento e rosado ou avermelhado, podendo apresentar marcações rosadas no cefalotórax e nas patas. Estas tarântulas possuem pêlos urticantes, no abdómen, que soltam em caso de ameaça.

Hábitos:São artrópodes de hábitos terrestres, nocturnos e nómadas, que se abrigam em buracos no solo; estes são encontrados disponíveis ou são escavados pelos próprios indivíduos e revestidos por uma fina camada de seda. Caçam por emboscada, usando o seu veneno para paralisar as presas. As tarântulas são incapazes de digerir o alimento internamente; por isso, injectam os sucos digestivos para o interior da presa e sugam, posteriormente, os produtos da digestão.

Dieta:Alimentam-se de invertebrados.

Reprodução:
É uma espécie ovípara. Durante o acasalamento, os machos ficam particularmente vulneráveis à predação por parte das fêmeas; por isso, nestes, o primeiro par de patas tem um esporão cuja função é manter afastadas as quelíceras das fêmeas. Cada postura pode ter de 100 a 250 ovos. O período de incubação é de cerca de três a quatro meses. Os machos atingem a maturidade por volta dos três a quatro anos de idade e as fêmeas por volta dos cinco a seis anos.


Estatuto de conservação e principais ameaças:Esta espécie não está globalmente ameaçada (segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza) e é uma das espécies de tarântulas mais comuns em cativeiro, nos EUA.

5 de julho de 2012

Boa-de-Madagáscar


Ordem: SQUAMATA 

Família: Boidae 

Distribuição e Habitat : Esta espécie apenas se encontra nas zonas florestadas da ilha de Madagáscar (desde florestas tropicais húmidas a florestas relativamente secas).



Identificação:As boas-de-madagáscar podem atingir 2,5 metros de comprimento. A pele da região dorsal tem cor acastanhada ou verde-olivácea com um padrão de manchas castanhas de distribuição regular. Os juvenis têm cor castanho-avermelhada, mudando para a coloração de adulto com cerca de um ano de idade. As boas-de-madagáscar têm dentição aglifa (dentes cónicos não-inoculadores de veneno). Conseguem engolir presas muito maiores do que a sua abertura bucal normal, pois os ossos dos maxilares estão unidos por ligamentos muito elásticos e podem mover-se independentemente. Além disso, a sua língua bifurcada serve, conjuntamente com o órgão de Jacobson, para a obtenção de informações olfactivas sobre o meio envolvente. Os boídeos têm, também, fossetas termossensoriais (pequenos orifícios localizados entre as escamas “labiais”, que possuem membranas sensíveis ao calor); graças a estas fossetas conseguem detectar, em plena escuridão, a localização das suas presas de “sangue quente” (homeotérmicas). Além disso, nos boídeos, ambos os sexos possuem esporões cloacais, um de cada lado da cloaca, que são utilizados durante o acasalamento (embora os dos machos sejam geralmente mais desenvolvidos).

Hábitos:Estas serpentes não-venenosas matam as suas presas por constrição: seguram-nas com as mandíbulas e enrolam o seu corpo em torno destas, imobilizando-as e apertando-as até que estas morram por asfixia. Têm hábitos principalmente nocturnos e semiarborícolas, mas os indivíduos maiores têm tendência a ser mais terrestres. Reprodução: É uma espécie ovovivípara (os ovos são mantidos no interior do corpo da fêmea durante o desenvolvimento embrionário). Os acasalamentos dão-se entre Janeiro e Maio. Nasce uma ninhada de uma a 16 crias após seis a sete meses de desenvolvimento embrionário. Durante o período de “gestação”, as fêmeas desta espécie adquirem uma cor mais escura de modo a maximizar a conservação de calor, em benefício do desenvolvimento das crias. Atingem a maturidade sexual entre os quatro a seis anos de idade.

Dieta:Alimentam-se de mamíferos (incluindo lémures) e aves.

Reprodução:
É uma espécie vulnerável (segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza). Está incluída no Apêndice I da CITES. As principais ameaças são a destruição do habitat e a captura para o comércio ilegal de espécies exóticas.

4 de julho de 2012

Dragão-de-komodo




Ordem: SQUAMATA 

Família: Varanidae 

Distribuição e Habitat : É uma espécie endémica da Indonésia, que se encontra nas ilhas indonésias de Komodo, Rintja, Padar e Flores (Pequenas Sunda). Os dragões-de-komodo vivem preferencialmente em savanas e matagais, embora possam também ser encontrados em mangais, zonas costeiras e recifes. 



Identificação:O dragão-de-komodo é o maior sáurio vivo, pois os adultos podem medir 3 metros de comprimento e pesar 100 a 250 kg (sendo o maior peso registado em indivíduos nas melhores condições físicas). Os machos são maiores do que as fêmeas. Estes répteis têm corpo robusto, patas curtas e possantes com fortes garras e cauda comprida. Nos adultos, a pele é castanho-acinzentada. As maxilas são fortes; os dentes têm cerca de 2 cm de comprimento, são pontiagudos, serrilhados e virados para trás. À semelhança das serpentes, os dragões-de-komodo têm a língua bifurcada, que serve, conjuntamente com o órgão de Jacobson, para a obtenção de informações olfactivas sobre o meio envolvente. 

Hábitos:Estes predadores poderosos caçam por emboscada; esperam a presa junto dos trilhos e atacam de surpresa, procurando segurá-la pelo pescoço, partindo-o, ou desferindo grandes dentadas nas patas ou outras partes do seu corpo. As presas de maiores dimensões que conseguem escapar, provavelmente, morrerão em poucos dias devido às hemorragias resultantes e à infecção das respectivas feridas, uma vez que os dragões-de-komodo possuem várias espécies de bactérias na saliva (este “caldo bacteriano” pode conter bactérias como Staphylococcus sp., Providencia sp., Proteus sp. e Pseudomonas sp.), que são responsáveis pela infecção das feridas provocadas pelos seus ataques, enfraquecendo ou mesmo matando a presa que tenha conseguido escapar, no caso de esta não morrer da forte hemorragia. A presa morta poderá, então, ser consumida pelo próprio indivíduo ou por outros da mesma espécie (os dragões-de-komodo são capazes de detectar o cheiro de um cadáver a 11 km de distância). São animais diurnos e solitários, que só se encontram para acasalar ou, ocasionalmente, em torno de um cadáver. Os juvenis são essencialmente arbóreos, tornando-se progressivamente mais terrestres à medida que crescem. Os adultos escavam buracos no solo, que são usados como locais de repouso durante a noite; os juvenis, por sua vez, refugiam-se em cavidades de árvores. Apesar do seu grande tamanho, estes varanos movimentam-se com rapidez quer em terra quer na água; já foram, inclusive observados a repousar ou a procurar alimento no fundo de recifes de coral, sendo capazes de mergulhar a 4 metros de profundidade e de nadar distâncias consideráveis sob a superfície. Em geral, os animais maiores definem territórios e os restantes têm tendências nómadas. 

Dieta:Os dragões-de-komodo são predadores e necrófagos. Os juvenis alimentam-se de insectos, pequenos lagartos, aves, pequenos mamíferos e cadáveres. Os adultos alimentam-se de porcos selvagens, cabras, veados, crias de búfalos, cavalos, macacos, serpentes, aves e cadáveres; podem praticar canibalismo, comendo os juvenis e os ovos da sua espécie. A necrofagia (ingestão de cadáveres) é uma importante fonte de alimento para esta espécie; todas as partes do cadáver são consumidas, incluindo os ossos, à excepção de pedaços de pêlo solto e dos conteúdos do estômago ou do intestino, que o dragão-de-komodo não consegue digerir porque contêm matéria vegetal. Pensa-se que seja esta a razão pela qual os juvenis têm o hábito de se esfregarem no pêlo e no conteúdo das vísceras do cadáveres, tentando deste modo reduzir a probabilidade de que os dragões-de-komodo adultos os vejam como possíveis presas. Os dragões-de-komodo são animais muito vorazes: um único indivíduo adulto pode consumir um javali de 30 kg em apenas 17 minutos. 

Reprodução:
É uma espécie ovípara. Os acasalamentos dão-se com mais frequência de Junho a Agosto. No ritual de acasalamento, o macho analisa a receptividade sexual da fêmea, analisando o odor e exercendo pressão com o focinho sobre determinadas partes do corpo desta: as zonas laterais do focinho, as zonas temporais e as zonas de inserção das patas; geralmente, o macho começa por analisar as zonas de inserção das patas com a língua e por passar em torno e por cima da parte posterior do corpo da fêmea; de seguida, coloca-se lateralmente a esta e coça-lhe as costas; finalmente, explora as zonas laterais do focinho e as zonas temporais da fêmea, ao que se poderá seguir a cópula. As posturas dão-se em Agosto e Setembro. A fêmea deposita 15 a 40 ovos num buraco que escava no solo; a postura total pode ser repartida em vários dias sucessivos. A incubação dura oito a nove meses, aproximadamente; as crias nascem em Abril ou Maio, isto é, no final da curta estação húmida, altura em que há maior abundância de insectos. A maturidade sexual é atingida quando o indivíduo atinge cerca de 70 cm de comprimento (excluindo a cauda), ou seja, por volta dos cinco a sete anos de idade. A longevidade desta espécie é, provavelmente, de 50 anos. 


Estatuto de conservação e principais ameaças:É uma espécie vulnerável (segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza). Pertence ao Apêndice I da CITES. Encontra-se ameaçada pela caça, por envenenamentos feitos pelas populações locais (com o intuito de protegerem as crianças e o gado), pela diminuição das presas de que se alimentam (resultante de acção humana) e pela predação realizada por cães domésticos. As Pequenas Sunda, onde se encontra o Parque Nacional de Komodo, foram classificadas como zonas de reserva pelo governo Indonésio, tanto para o dragão-de-komodo como para as suas presas. O grande interesse público suscitado por este réptil começa a ser muito importante para a economia turística das ilhas onde habita, pelo que as populações locais estão cada vez mais empenhadas na sua conservação. A população total em estado selvagem está, actualmente, estimada em 3000 a 5000 indivíduos. 

3 de julho de 2012

Papagaio-cinzento-do-senegal


Nome Científico: Psittacus erithacus timneh


Ordem: PSITTACIFORMES 


Família: Psittacidae 


Distribuição e Habitat : A Psittacus erithacus timneh é uma das duas subespécies desta espécie, cuja área de distribuição vai desde a Serra Leoa à Costa do Marfim, existindo populações isoladas na Guiné-Bissau e no Sul do Mali. Habita florestas húmidas primárias e secundárias, clareiras, florestas de galeria, mangais, savanas e plantações. Podem ser vistos até aos 2200 metros de altitude.


Identificação:Medem 28 a 39 cm de comprimento. Não existe dimorfismo sexual. A plumagem é cinzenta, à excepção das penas caudais, que têm cor vermelha. Apresentam pele nua nas faces, de cor branca. Esta subespécie (Psittacus erithacus timneh) tem a plumagem mais escura e é mais pequena do que a subespécie Psittacus erithacus erithacus. As patas são cinzentas e zigodáctilas (têm dois dedos virados para a frente e dois dedos virados para trás; em geral, as aves apresentam três dedos virados para a frente e um para trás). Os papagaios-cinzentos têm uma espantosa capacidade para imitar sons, tendo já sido demonstrado que podem utilizar palavras e frases em contextos apropriados.

Hábitos:Procuram alimento no solo e nas árvores. Repousam em bandos (de 30 a 10 000 indivíduos), de preferência em árvores altas ao longo de rios. Ao nascer do Sol, voam aos pares ou em pequenos grupos (até 30 indivíduos) para procurar alimento, mas podem juntar-se bandos de 800 aves em clareiras nas florestas da bacia do Congo. Podem deslocar-se grandes distâncias à procura de árvores em frutificação.

Dieta:Alimentam-se de frutos e sementes, essencialmente.

Reprodução:
A época de nidificação varia com a localização geográfica. Nidificam em ocos de árvores, a uma altura de 10 a 30 metros. Em algumas regiões podem ser encontrados até três ninhos na mesma árvore. A postura é de dois a três ovos, cuja incubação dura 21 a 30 dias e é realizada apenas pela fêmea. As crias são altriciais (totalmente dependentes dos pais durante os primeiros tempos de vida). Os juvenis mantêm-se no ninho durante cerca de 80 dias.


Estatuto de conservação e principais ameaças:A espécie não está globalmente ameaçada (segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza). Ainda é relativamente abundante, apesar das capturas intensivas e ilegais para o comércio de aves de cativeiro e da destruição do habitat. O papagaio cinzento é a segunda espécie mais comercializada como ave de companhia, a nível internacional (a primeira é o massarongo-do-senegal).

Okapi




Ordem: ARTIODACTYLA 


Família: Giraffidae 


Distribuição e Habitat : A área de distribuição desta espécie é muito limitada. Pode ser encontrada nas florestas equatoriais do Nordeste e Centro-Leste da República Democrática do Congo, nomeadamente na floresta de Ituri, onde é protegido pelo governo (Okapi Wildlife Reserve). É possível que também exista no Oeste do Uganda. Prefere refugiar-se em zonas densas e húmidas. 


Identificação:Os okapis podem alcançar os 2 m de altura total. A altura ao garrote normalmente não excede 1,5m. Pesam entre 200 a 300 kg. Em geral, a fêmea é um pouco maior do que o macho. Esta espécie possui olhos e orelhas grandes, pequenos cornos (apenas nos machos) cobertos de pele e pescoço relativamente comprido. Têm pelagem castanha e luzidia, que apresenta listas brancas horizontais na garupa e na parte superior das patas. A língua, com cerca de 35 cm, é escura e preênsil como a das girafas e é tão comprida que pode alcançar os próprios olhos e orelhas, podendo ser utilizada para a limpeza destes. Sob cuidados humanos têm uma longevidade de, aproximadamente, 30 anos.

Hábitos:Os okapis são animais diurnos e solitários (normalmente apenas se encontram para acasalar). São animais territoriais que marcam as suas áreas com uma secreção acastanhada da pele e urina. Ainda pouco se sabe sobre a biologia e ecologia comportamental desta espécie, especialmente devido ao difícil acesso do seu habitat e hábitos muito reservados. 

Dieta:Ainda não se sabe muito relativamente à sua dieta no habitat natural e por isso é alvo de inúmeros estudos sob cuidados humanos. São animais herbívoros ruminantes. Alimentam-se de folhas de muitas plantas da sua área de distribuição e, provavelmente também de frutos e sementes. Assim como as girafas, usam os incisivos inferiores e a sua comprida língua para alcançar o alimento. Muitas das espécies das quais os okapis se alimentam são venenosas para os humanos. 

Reprodução:
As fêmeas atingem a maturidade sexual com, aproximadamente 1,5 anos, enquanto os machos ficam maduros ligeiramente mais tarde. Para localizar indivíduos do sexo oposto, os okapis utilizam o olfacto, que é muito apurado nesta espécie. No habitat natural, nasce uma cria (entre Agosto e Outubro) na estação das chuvas, quando a floresta é rica em vegetação tenra. A cria é escondida pela mãe na floresta densa durante 2 semanas. O período de gestação de 425 a 491 dias, mais nove meses de lactação obriga a um considerável investimento energético por parte da progenitora. Normalmente a fêmea perde bastante peso durante este período. A mãe e a cria comumicam vocalmente, através de chamamentos descritos como uma leve tosse e balidos, que são audíveis pelo Homem. 


Estatuto de conservação e principais ameaças:É, em geral, considerada uma espécie rara. No entanto, a floresta densa, os conflitos armados e os seus hábitos evasivos poderão esconder o seu real estatuto de conservação. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza é uma espécie de Baixo risco/Quase ameaçada. As principais ameaças são o comércio, a caça desportiva e a perda de habitat em consequência da actividade humana (desflorestação para indústria madeireira, minério, agro-pecuária e guerrilhas armadas). O Jardim Zoológico de Lisboa participa no Programa Europeu de Reprodução do Okapi (EEP) e apoia financeiramente o projecto da sua conservação in situ.